quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mt 1, 18-25 – Anúncio do nascimento de Jesus


 

Há dois aspetos particulares neste fragmento inicial do evangelho de Mateus, ambos de carácter sobrenatural, mas também de natureza simbólica, e que são Maria, mãe de Jesus, ter concebido pela graça do Espírito Santo, e o sonho profético de José, em que lhe é revelada a verdade acerca da conceção de Jesus.

 

Ora estes dois aspetos marcantes apontam ambos para a presença do sobrenatural nas nossas vidas, quotidianas e comuns. Quem eram afinal Maria e José? Eram dois jovens, vivendo no anonimato, e que apenas aos olhos de Deus mereciam que se singularizassem. E é assim até aos dias de hoje. Deus escolhe e elege, de entre os homens e mulheres, aqueles que entende que devem realizar uma missão e a sua forma de contacto transcende tudo aquilo que é concreto e palpável.

 

Podemos mesmo dizer que o modo como Deus escolhe dirigir-se a nós homens é sempre singular e está sempre revestido de um mistério que apenas a fé pode explicar e aceitar. No caso do sonho de José, foi a certeza de José de que a mensagem do seu sonho era uma verdade incontornável que fez com que se cumprisse o desígnio de Deus. A Deus cabe destinar; ao homem cabe cumprir o destino. Deus não força. Ao homem cabe aceitar ou não aquilo que lhe é proposto.

 

O que observamos na conceção de Jesus é o seu carácter transcendente (concebido pela ação do Espírito Santo no ventre de uma virgem), mas, ao mesmo tempo, muito humano, pois sem a aceitação de, primeiro Maria, e, depois José, a consumação não teria sido possível. Ou seja, concorre para o nascimento de Jesus o querer divino e a ação humana, que aparecem indissociavelmente unidas; e em que uma não se concretiza sem a outra. Num determinado sentido, podemos afirmar sem heresia que Deus precisa do homem, tal como o homem precisa absolutamente de Deus. E isto é um mistério.

 

Justamente, aquilo que estes versículos do capítulo 1 revelam é que Deus, na sua transcendência, comunica com os homens quotidianamente. E a verdade é que precisamos apenas de estar atentos aos sinais, que são muitos. Quando despertou do sono, José fez o que o anjo de Deus lhe ordenou e assumiu o seu papel de esposo de Maria, sem questionar os motivos nem o propósito de Deus. Também Maria fez o mesmo, quando aceitou ser aquela que daria à luz o Messias.

Ensina-nos este fragmento que devemos sempre confiar perante a manifestação de Deus na vida do homem, mesmo que, aos olhos humanos, pareça estranha e inconcebível essa mensagem; mesmo que essa mensagem desafie a ordenação das leis do mundo e represente um risco de vida. Confiar e obedecer, pois Deus nunca desampara todos aqueles que são escolhidos, ainda que os Seus caminhos possam ser dolorosos.  

  

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