sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Mt 2, 1-12 – Os Magos do Oriente



 

Neste caso particular, o fragmento do capítulo 2, versículos 1-12, chama-nos a atenção para a estrela (sinal nos céus) que assinala o nascimento do Messias. Seriam sumos astrólogos estes três magos capazes de observar na organização dos astros a linguagem de Deus. E tanto é assim que o mapa de nascimento, à luz dos saberes astrológicos, revela o potencial que um determinado ser traz consigo para a vida. Também em Jesus esta linguagem das esferas está presente, assinalando o carácter real da criança acabada de nascer.

 

Mas existe uma tensão logo neste momento inicial do nascimento do Messias. O poder político, representado no rei Herodes, considera Jesus uma ameaça ao poder instituído; ou seja, existe uma enorme diferença entre aquela que é a mensagem de Deus e o sentido que lhe é dado pelos homens. Os homens não alcançam senão o plano material da realidade, que é o que acontece com o rei Herodes.

 

Não se passará o mesmo, contudo, com os magos do Oriente. Os magos prostram-se e adoram Jesus na sua pequenez de criança, na qual está inscrito um destino glorioso. Ora isto diz-nos, justamente, que é desde o nascimento que Deus nos conhece e reconhece como tendo uma história de vida particular. O potencial humano que os magos encontram naquela criança é também uma dimensão divina, de natureza Real. E essa Realeza de Jesus não passa despercebida a quem, como os magos, sabe interpretar os sinais dos céus.

 

Por isso lhe oferecem três presentes magníficos, representativos do valor divino de Jesus. O ouro, o incenso e a mirra assinalam justamente a sua condição humana à luz de uma dimensão maior; à qual a Realeza e o martírio (morte) são a chave para entendermos que, se o nascimento é, em si mesmo, um portal para uma dimensão terrena, a existência não se esgota nessa dimensão material. E os magos, os primeiros a adorar Jesus, sabem isso.

Quantos de nós, no nosso percurso diário, nos deixaríamos interpelar por uma estrela, um sinal nos céus? Quantos de nós, na nossa azáfama de vida, pararíamos para adorar uma criança, no sentido de vermos nela, não a sua fragilidade infantil, mas o potencial humano e superior que aquele ser, desde o nascimento, possui? Talvez precisemos de fazer como os magos e trazer a sabedoria para as nossas vidas.